Finalmente saiu nessa semana, nos EUA, a última edição da maxi-série da DC, Fifty Two (52), curiosamente no dia 2 de maio, que se lê 5/2 em inglês - uma coincidência fortuita comemorada pelos seus autores. Mas do que se trata essa série e como ela afeta tudo que iremos ler durante 2007 e 2008?
Aviso: pequenos spoilers a frente.
52 semanas
Ainda durante a Crise Infinita, as revistas de linha dos super-heróis da DC foi adiantada cronologicamente em um ano. Com isso, manteria-se a expectativa sobre o final da Crise e também criaria um mistério sobre quais os eventos que ocorreram durante o ano perdido - 52 semanas onde os medalhões da DC, Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, ficaram desaparecidos.
Para responder a isso a DC fez um projeto ousado: uma revista semanal, que contava em tempo real o que aconteceu em cada uma dessas 52 semanas. De fato, em quase todas as edições a história é quase que diária. Não é a primeira vez que se criou uma revista com essa peridiocidade (a DC mesmo já teve o Action Comics Weekly anos atrás), mas nunca nada desse porte.
A série foi escrita pelos quatro principais escritores da editora: Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka e Mark Waid e só o fato de ter saido toda quarta-feira, sem um único dia de atraso, já é um feito histórico nos quadrinhos americanos. É um trabalho monumental organizar quatro escritores famosos, quase uma dezena de desenhistas e acertar tudo a tempo da revista ser impressa e entregue a tempo. Junte a isso o fato do primeiro editor da revista ter sido contratado pela Marvel (de uma forma polêmica) antes da metade da série e você terá uma idéia das dimensões do projeto.
As 52 capas, todas feitas por J. G. Jones são um show a parte; desde Sandman, nunca houve tanto frisson para ver a capa da próxima edição. Merecidamente, ele concorre a melhor capista do ano pelo Eisner Awards. A arte interna é feita por um time de artistas, em especial Joe Bennett, que apesar da diferença de estilos, conseguiram criar uma arte consistente com o clima da série.
E ao final de cada edição, uma história curta, contando a história do Universo DC, a origem de algum personagem ou grupo fechava a revista - uma idéia excelente para atrair novos leitores, já que a série ficou nos primeiros lugares da lista de mais vendidos por meses. Mas e a qualidade da série? Pra responder isso é preciso analisá-la pela suas propostas originais:
Ela deveria mostrar o Universo DC através dos olhos dos personagens de segundo escalão da editora. Nesse ponto 52 é um marco primoroso da história da DC. Personagens como Dr. Magnus, Ralph Dibny, Egg Fu e Renné Montoya tem grande destaque na série, só pra citar alguns (e evitar maiores spoilers).
Ela deveria mostrar o que aconteceu no ano perdido com todo o primeiro escalão de personagens da DC, exceto pela Trindade, e como eles chegaram até o ponto mostrado nas histórias de Um Ano Depois. Nesse ponto 52 falha vergonhosamente. Personagens como Arqueiro Verde mal aparecem na série e em pontos que não explicam o que aconteceu imediatamente antes do salto de um ano. Os outros heróis em sua grande maioria tem suas mudanças durante a 3a. Guerra Mundial, ocorrida na Semana 50, ou seja, duas semanas apenas antes das histórias mostradas no Um Ano Depois. E a maioria das mudanças foi forçada para se encaixar nesse evento, dando uma desculpa mínima para serem incluídas na série. E para outros personagens é ainda pior, como Asa Noturna e Robin, que não chegam sequer a mostrar nenhuma mudança (exceto pelo uniforme do último) e no pouco que aparecem na história parecem levar uma direção totalmente diferente na mostrada no Um Ano Depois ou mesmo Crise Infinita.
Para tentar resolver isso, a Terceira Guerra Mundial é detalhada em quatro especiais que sairam na mesma semana que 52 Semana 50, contando em detalhes o que aconteceu com todos os heróis durante a guerra. Ainda que a idéia seja boa, sua execução foi bem discutível e algumas idéias muito forçadas, como a transformação do Aquaman, que nem a ver com a guerra tinha.
Porém, se focarmos nas aventuras dos personagens "principais" temos uma história de amor, aventura, fantasia e guerra, digna realmente de nota.
As sagas
Basicamente 52 pode ser dividida em 7 histórias envolvendo os seguintes personagens:
- Renné Montoya e o Questão
- Adão Negro
- Estelar, Adam Strange e Homem-Animal
- Aço e Luthor
- Dr. Magnus
- Ralph Dibny e Senhor Destino
- Gladiador Dourado e Rip Hunter
Cada história se desenrola de forma independente mas todas elas se cruzam em mais de um momento. Todas se amarram muito bem e algumas se cruzam de forma brilhante. Apesar dos quatro escritores terem estilos muito diferentes, é quase imperceptível perceber quando um termina o texto e outro começa, a exceção talvez de Grant Morrison, que teve várias idéias loucas para a série, brilhantemente desenvolvidas pelos outros escritores. A sintonia que os quatro tiveram deu o apelido lá fora para eles, de A Banda. Título bastante merecido.
Das edições individuais eu poderia destacar:
52 Semana 1. O ínicio de tudo, a história consegue dar uma geral de praticamente todas as sagas que estão por vir. Preste atenção a todos os detalhes, vale a pena.
52 Semana 5. O retorno da SJA do espaço.
52 Semana 6. O aparecimento do supergrupo chinês e as primeiras pistas do que realmente está acontecendo. Atenção máxima aos detalhes.
52 Semana 11. A estréia da Batwoman. E na história do Universo DC a volta de um velho conhecido do Multiverso.
52 Semana 15. A última batalha do Gladiador Dourado.
52 Semana 16. O casamento de Adão Negro.
52 Semana 17. Lobo versus "Galactus".
52 Semana 23. A Ilha do Professor Morrow.
52 Semana 27. Ralph Dibny encontra Jean Loring.
52 Semana 35. It´s rainning (super)men.
52 Semana 38. Os Cavaleiros do Apocalipse.
52 Semana 43. O início do fim.
52 Semana 50. A Terceira Guerra Mundial.
52 Semana 52. O grande final e o segredo sobre 52.
52 no Brasil
A julgar pelos lançamentos da Panini, 52 deve estrear em julho. Será que a Mythos (que produz as revistas para a Panini) será capaz de produzi-la de forma semanal? Será que as edições individuais não irão custar muito caro? São perguntas importantes; juntar as edições americanas para criar, por exemplo, 12 edições da série seriam ótimas para baratear o custo, mas simplesmente tiram todo o apelo que a série tem. E publicá-las semanalmente é um grande desafio, ainda mais para a Panini/Mythos que frequentemente tem atrasado seus títulos.
Porém, de uma forma ou de outra, sua publicação é obrigatória e sua leitura um grande prazer. Uma das mais aguardadas sagas do ano, sem dúvida.
1 também acharam:
Como fã do Batman (gibis) e colecionadora, gostaria de saber, caso vc também saiba como que a Panini está fazendo para organizar as histórias, porque até agora, parece que está tudo 'picotado'. Estão dividindo também entre as revistas do Batman? A Mulher Morcego, que irá reaparecer seria na Crise Infitia ou no Batman? Sinceramente, o pessoal no Brasil deveria no mínimo, ter organizado ou feito um organograma, especificando as edições e suas histórias. Não há como comprar todos os gibis...
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